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sábado, 21 de agosto de 2010

Um pequeno trecho de Eclipse

- A pior parte é saber o que teria sido.

- O que poderia ter sido. - Eu suspirei.

- Não - Jacob balançou a cabeça. - Eu sou exatamente certo pra você, Bella. Teria sido fácil pra nós, confortável, fácil como respirar. Eu era o caminho natural que a sua vida teria tomado... -

Ele olhou para o espaço por um momento, e eu esperei. - Se o mundo fosse do jeito que devia ser se não houvesse monstros e nem magia... - Eu podia ver o que ele via, e eu sabia que ele estava certo. Se o mundo fosse o lugar são que devia ser, Jacob e eu teríamos ficado juntos. E nós teríamos sido felizes. Ele era a minha alma gêmea nesse mundo - e ainda teria sido a minha alma gêmea se ele não tivesse sido obscurecido por algo mais forte, uma coisa tão forte que não podia existir no mundo racional.

Será que havia isso pra Jacob também? Alguma coisa que trunfasse uma alma gêmea? Eu tinha que acreditar que sim.

Dois futuros, duas almas gêmeas... Demais pra uma pessoa só. E era muito injusto que eu não fosse a única a pagar o preço por isso. A dor de Jacob era um preço alto demais. Vacilando com o pensamento do preço, eu me perguntei se teria tomado outro caminho, se Edward não tivesse ido embora. Se eu não soubesse como era viver sem ele. Eu não tinha certeza. Aquele conhecimento era uma parte muito profunda de mim, e eu não conseguia imaginar como me sentiria sem ela.

- Ele é como uma droga pra você, Bella - A voz dele ainda era gentil, nem um pouco crítica. -

Eu vejo que você não consegue viver sem ele agora. É tarde demais. Mas eu teria sido mais saudável pra você. Não uma droga; eu teria sido o ar, o sol.

O canto da minha boca virou pra cima em um meio sorriso saudoso. - Eu costumava pensar em você desse jeito, sabe. Como o sol. Meu sol particular. Você equilibrava bem as nuvens pra mim.

Ele suspirou. - Das nuvens eu posso cuidar. Mas eu não posso lutar com um eclipse.

Eu toquei o rosto dele, descansando a minha mão na bochecha dele. Ele exalou sob o meu toque e fechou os olhos. Tudo ficou muito quieto. Por um minuto, eu pude ouvir as batidas do coração dele, lentas e uniformes.

- Me diga qual é a pior parte pra você - ele sussurrou.

- Essa pode ser uma má idéia.

- Por favor.

- Eu acho que vai doer.

- Por favor?

Como eu podia negar alguma coisa a ele nesse ponto?

- A pior parte... - eu hesitei, e aí deixei as palavras fluírem, numa fonte de verdade. - A pior parte é que eu vi a coisa toda, a nossa vida inteira. Eu queria muito, Jake, eu queria tudo. Eu quero ficar bem aqui e não me mover nunca. Eu quero te amar e te fazer feliz. E eu não posso, e isso está me matando. É como Sam e Emily, Jake, eu nunca tive uma escolha. Eu sempre soube que nada mudaria. Talvez fosse por isso que eu lutei tanto contra você.

Ele pareceu estar se concentrando em respirar uniformemente.

- Eu sabia que não devia ter dito isso.

Ele balançou a cabeça lentamente.

- Não. Eu estou feliz que você tenha dito. Obrigado - ele beijou o topo da minha cabeça, e aí suspirou. - Eu vou ser bonzinho agora.

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